Domingo, Março 11, 2012

O homem do fraque

Como toda a gente sabe, foram os alemães que inventaram o dinheiro, já há uns tempos.
Entretanto, uns anos mais tarde, os suíços descobriram que deixar o dinheiro ao frio estragava as notas e por isso criaram os bancos.

Por necessidade, os franceses criaram o crédito, já que tinham a tendência para se esquecer da carteira sempre que iam comprar baguettes e comer croissants.

Posteriormente os ingleses criaram as taxas de juro porque perceberam que plantar o dinheiro não o fazia crescer.

Já os espanhóis optaram por investir na armada invencível, para atacar os ingleses, pois também eles queriam mais dinheiro. Perderam a guerra e daí o ditado "o dinheiro não trás felicidade".

Por fim os italianos inventaram a fuga aos impostos e a economia paralela enquanto os gregos inventaram os subsídios.

E os portugueses? Os portugueses inventaram a cobrança. A necessidade aguça o engenho e cedo os portugueses perceberam que era muito mais fácil resolver problemas de tesouraria... cobrando.
Começámos por Ceuta em 1415 e acabámos no PEC IV. Desenvolvemos uma das mais eficazes máquinas fiscais da Europa, inventámos a Via Verde, os cartões pré-pagos dos telemóveis e somos dos poucos países onde é possivel pagar praticamente tudo por multibanco.

A cobrança está de tal forma enraizada que chegámos mesmo a inventar o "inovador" Porta Moedas Multibanco, que funcionou (mal) até alguém perceber que não acrescentava quase nada aos meios de pagamento já existentes.

Eis a breve história do dinheiro.

Sexta-feira, Março 09, 2012

Sem sentido

Nem há 1 ano (12 de Março de 2011) ocorreu em Lisboa a manifestação da "Geração à Rasca".

Na altura aceitei o desafio da JM e expliquei porque razão não participei nessa manifestação, mesmo estando, à data, enquadrado numa das situações descrita como precária.

Escrevi na altura:

"Então, porque razão não estou de acordo com o protesto? Parece-me que, tirando alguns casos específicos que já referi, ainda não se percebeu que o verdadeiro problema - o desemprego (e em parte, a precariedade) não se combate apenas por decreto.


Há uma grande diferença entre uma geração qualificada e uma geração estrategicamente qualificada."

Vem isto a propósito de um artigo no Público do dia 5 de Março: "Associação Académica de Coimbra contra adaptação do ensino superior às necessidades do mercado".

"Não queremos um país sem filósofos, um país sem historiadores, sem pensadores."

Não adaptar o investimento no Ensino Superior às necessidades do país é desperdiçar recursos - principalmente, e o mais importante - recursos humanos. Não adaptar o investimento é continuar a alimentar expectativas - ilusões - que tem servido apenas para engordar  estes números.

Uma adaptação adequada do ensino superior jamais conduziria à extinção de cursos de Filosofia ou História.

Publiquem-se listas - oficiais - com a empregabilidade dos cursos, por faculdade. Discuta-se o financiamento público de determinados cursos (que é diferente de os extinguir). Apresentem-se as saídas profissionais que cada curso oferece na realidade, através da experiência de antigos alunos.

Sou, naturalmente, a favor da diversidade da oferta no ensino superior. No entanto, e esta declaração da AAC vai nesse sentido, continua a dificuldade em perceber que  "há uma grande diferença entre uma geração qualificada e uma geração estrategicamente qualificada". Até lá, teremos na televisão dezenas, centenas de casos, de desempregados com formações insuficientes ou desfasadas da realidade nacional.

E nestes casos, qual é a obrigação do governo/sociedade?

Por um lado, não se aceita que o governo adapte o investimento de modo a responder às necessidades do país - heresia!
Por outro, exige-se que esse mesmo governo crie condições de emprego para todos, para todo em qualquer caso, na área de formação de cada licenciado, mesmo quando essa formação não responde às necessidades do país.

A adaptação do Ensino Superior às necessidades do mercado não é uma questão de gostar.

Sábado, Fevereiro 04, 2012

Apologia do bom-senso

O Luís Represas e o João Gil juntaram-se lançaram um single. Yeah...
O facto passar-me-ia passado ao lado, não fosse ter reparado (eu e, pelos vistos, muitos outros) num verso em particular desta música:

"Gosto de ti quando és razoável".

Existem músicas que falam de amor e outras de desamor. Provavelmente repararam que faltava uma terceira categoria, dirigida a um nicho de mercado - e criaram uma música de amor-dentro-do-limite-do-bom-senso.

Parece-me bem. Estamos em altura de contenção e devemos pôr os excessos de parte: se, por um lado, eles não estão para aceitar qualquer coisa - nesse caso diriam, "gosto de ti, mesmo quando és pouco ou nada razoável" - também não exigem muito - ou seria, "gosto de ti quando és espectacular".

O que se pede é moderação e por isso, da mesma forma que existem vários tipos de Rock, Metal, Jazz, etc., o que a dupla Represas/Gil está a fazer é história: acabaram de criar, sem saber, o Rock Troikista.

O que é uma música Troikista? Caros leitores, apresento-vos:

"Entre o 8 e o 80 está o 44", por Gervásio Silva.
Um hino à moderação em Lá menor, porque em Lá maior já seria muito exuberante.



Gosto de ti quando és razoável,
Gosto do mar quando a bandeira está amarela,
Gosto da praia quando o vento está moderado,

Gosto de conduzir quando a estrada tem radares,
Gosto do tempo quando o céu está nublado,
Gosto do meu clube quando empata,

Gosto do arco-íris quando é cinzento,
Gosto das férias quando são em Janeiro,
Gosto dos feriados quando são ao fim-de-semana,

Gosto da comida quando já arrefeceu,
Gosto da televisão quando passa uma reposição,
Gosto do cinema quando o filme não é mau.

Gosto de tocar guitarra quando algumas cordas estão afinadas,
E gosto desta música quando ninguém a canta.



E é isto...

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Feriados

Na ordem do dia está a aparente polémica em torno do fim dos feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro.

A juntar a outros dois feriados religiosos, o objectivo é aumentar a produtividade do país (estamos a falar de mais 5 dias de trabalho, se considerarmos que pelo menos um destes feriados dê uma ponte).

Não me interessa discutir a validade da medida - até porque não tenho dados para o fazer - mas olhar para alguma argumentação usada para a pôr em causa.

Diz a Associação de Professores de História (APH) que, no 5 de Outubro, "Nem o Estado Novo se atreveu a mexer".

E acrescentam: "[A matéria do 5 de Outubro] É sempre um tema alvo de exame ao nível do ensino secundário e de testes nacionais intermédios do nono ano".

"[O 5 de Outubro é] fulcral para se perceber a diferença entre a Monarquia e a República e entre a República e o Estado Novo [...]  É igualmente fulcral para perceber as propostas dos republicanos que continuam com toda a atualidade".

E concluem dizendo: "[O fim destes feriados constitui] uma agressão à memória histórica dos portugueses".

Surreal.

Gostaria de recordar à APH que o Estado Novo também não se atreveu a mexer na questão da independência das colónias. Recordemos: daquilo que o Estado Novo fez ou deixou de fazer, em particular na última década, pouco serve de exemplo.

Continuando, confesso a minha dificuldade em perceber qual é a relação entre os feriados e a matéria de exame. Um professor deixa de dar matéria por falta de feriados históricos? Segundo percebi... o 5 de Outubro continua a ser o aniversário da implantação da República, independentemente de ser feriado ou não!  E não existe nenhum feriado a comemorar a chegada à Índia ou ao Brasil, matéria essa saiu no teste...

Entretanto, para perceber a diferença entre Monarquia e República, ou as propostas da República, é necessário que a matéria seja dada nas aulas e que haja interesse da parte que quem aprende. Quem não está interessado em aprender/perceber não o vai ficar a saber devido ao feriado.

Por fim, a memória histórica dos portugueses já sofre agressões há muito tempo. Se o objectivo de um feriado é evocar um acontecimento histórico e se uma parte significativa da população não tem a mínima noção da memória evocada (sejamos realistas...) então o feriado não está a cumprir o seu papel.


A discussão sobre o papel e a importância dos feriados pode (e deve) ser levada mais longe que isto. Mas com argumentos destes, dificilmente pode ser levada a sério.

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Perspectivas




Foi a música deste vídeo que, há vários anos, me colocou na rota de guitarristas como Steve Vai ou Joe Satriani.

Esta 5ª Sinfonia de Beethoven, interpretada por Danney Alkana, é uma excelente demonstração que estilos aparentemente distintos podem, afinal, estar muito próximos.

E esta, hein?

Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Atitude

Recentemente vi uma TEDx Talk com o Miguel Gonçalves.

Quem é o Miguel Gonçalves? Pouco sei, tirando que é um jovem empreendedor do norte do país.
O vídeo tem 30 minutos e fala sobre empreendedorismo e atitude no contexto empresarial, ainda que muito do que foi dito possa ser aplicado num plano pessoal.
Desinteressante?

"Como se diz na minha terra, [se queres uma coisa] tu agarra e amassa até a laranja cair. É nisto que eu acredito." (28:05)



Contra o fado e o fatalismo que nos caracterizam enquanto povo. Vale a pena.




Destaco os seguintes momentos:


12:45 - Conta uma história sobre uma jovem com uma licenciatura em cenografia e está desempregada há 7 anos...


18:30 - Referência ao pessimismo português: "Somos um país que amassa os sonhos de toda a gente... ahh, um mal nunca vem só... Porquê? Porquê??"


19:20 - "Nunca tiveram com aquelas pessoas com quem vão jantar e não sabem porquê... parece que levaram uma coça... sempre para baixo, sempre negro, sempre negro...".


20:15 - "Começa tudo com a palavra. O verbo é o início de tudo. (...) A nossa substância transforma-se quando nós dizemos - Se procuras preto... é preto que encontras."


28:05 - "Como se diz na minha terra, (se queres uma coisa) tu agarra e amassa até a laranja cair. É nisto que eu acredito.".

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Reboot - A continuação

Com estes dois post pretendi ilustrar o reboot de um computador com o Windows.


(vamos todos acreditar que sim...)